Voluntários: identificando, engajando e organizando quem quer ajudar

O combate ao coronavírus é um desafio compartilhado por toda a sociedade. Muitas pessoas estão dispostas a colaborar com esse enfrentamento, mas os municípios precisam encontrar formas de organizar essa ajuda voluntária, para que ela possa ser aproveitada da melhor maneira.

Preparamos este artigo para apresentar alguns exemplos e sugerir alternativas que os gestores públicos podem adotar para identificar, engajar e organizar cidadãos interessados em contribuir com o combate ao coronavírus. Com planejamento, a ajuda voluntária torna-se mais eficiente.  

Como organizar estrategicamente a ajuda voluntária no combate à Covid-19

Sugerimos uma sequência de passos que podem auxiliar os municípios na identificação e distribuição dos voluntários interessados em colaborar com o enfrentamento ao coronavírus.

1. Decida as áreas prioritárias 
É natural que grande parte da força dos voluntários seja direcionada para a área de saúde dos municípios, que está na linha de frente do combate ao vírus. Mas essa distribuição precisa ser feitacom planejamento.

É importante ter clareza da quantidade e especialidades dos profissionais já atuantes dentro do sistema de saúde de cada localidade, para entender onde e como distribuir a ajuda voluntária da melhor maneira.

Lembre-se que:

Estudantes de medicina podem ser voluntários nos serviços de saúde: em 24 de março, o Ministério da Saúde publicou portaria no Diário Oficial que define a Ação Estratégica “O Brasil Conta Comigo”, permitindo que estudantes da área de saúde contribuam para o combate da pandemia como voluntários ou por meio da realização do estágio curricular obrigatório.

Profissionais formados nas áreas de saúde também atuam como voluntários: diversos municípios, como Rio de Janeiro e Curitiba desenvolveram formulários de cadastro para voluntários que têm formação em áreas da saúde.

Profissionais das demais áreas têm muito a contribuir: considere abrir seu programa de voluntariado para outras áreas que podem contribuir com o dia a dia do município em meio à crise, como comunicação, atividades administrativas, transporte, higienização, entre outros.  

2. Defina responsáveis pela gestão dos voluntários

O sucesso de um programa de voluntariado depende de uma gestão efetiva. Por isso, determine e comunique de forma clara os responsáveis pelos voluntários em cada frente de atuação.

3. Crie um formulário de inscrição

Crie um formulário online para cadastro dos voluntários e divulgue para a imprensa e nas redes sociais do município. Já no formulário, você pode colher informações relevantes para a organização da força voluntária, como lugar onde o inscrito vive, região da cidade onde pode atuar, formação, atividades que pode desempenhar, entre outras informações. Confira o exemplo de Curitiba.

A criação de formulário pode ser feita de forma simples e gratuita no Google. Confira um passo a passo aqui. 

4. Decida como alocar voluntários

Após contar com a ajuda do formulário para identificar o perfil de cada voluntário, faça a distribuição, seguindo nossas orientações. 

Profissionais de medicina e enfermagem recém-formados: estão mais suscetíveis ao risco de infecção e não é recomendado que se envolvam em atividades diagnósticas, de estratificação de risco e de terapia intensiva/crítica. A sugestão é alocar esse grupo em rotinas de visitas de internação e atendimento de pacientes isolados (nursing homes, gripários, etc.) que estão estáveis e sem necessidade de terapia crítica. Outras atividades de menor risco são a organização de fluxos de alimentação de pacientes e a distribuição de doações em locais vulneráveis, por exemplo.

Profissionais de medicina e enfermagem com mais experiência: podem trabalhar no apoio à Atenção Básica, enquanto algumas equipes da Atenção Básica podem ser deslocadas para enfermarias e outros serviços. É preciso haver supervisão in loco para esses profissionais voluntários, sempre.

Psicólogos e estudantes de psicologia: podem trabalhar com apoio psicológico remoto aos profissionais ou em nível comunitário, também sob supervisão.

Profissionais de design e comunicação: podem mobilizar e produzir conteúdo, em variados formatos, para as redes sociais oficiais e promover formatos inovadores de divulgação de informação para diferentes públicos, o que pode ser extremamente útil para reforço e manutenção da quarentena.

Todos os voluntários, de qualquer área: podem ajudar a desenvolver atividades de entretenimento para a quarentena e ampliar a comunicação/orientação com a população. As áreas administrativas e de coleta e registro de dados também são cruciais, o que é uma área de menor risco de infecção e pode contar com voluntários de diversas formações diferentes.

O que os estados e municípios já estão fazendo

Reunimos alguns exemplos de iniciativas adotadas por estados e municípios que estão organizando o voluntariado no combate ao coronavírus.

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro disponibilizou um site para cadastrar voluntários da área de saúde que poderiam contribuir com o enfrentamento ao problema. Em abril, o cadastro já havia reunido mais de 26 mil inscritos. 

Em Curitiba, o cadastro para voluntários está aberto para profissionais de qualquer área. Já no preenchimento do formulário, os interessados fornecem diversas informações que ajudam a gestão pública a organizar a distribuição dos esforços, como área onde pretende atuar e quais atividades se sentem capazes de desenvolver. 

Em busca de mais informações sobre organização da área de saúde diante da crise do coronavírus? Acesse o Webinar realizado pela plataforma CoronaCidades sobre Como Organizar a Atenção Básica em Saúde em tempos de Covid-19. 

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