Saúde em Ordem é novidade do Farol Covid

Como parte dos esforços para diminuir a proliferação da Covid-19, inúmeros estados e municípios brasileiros adotaram medidas de restrição à circulação de pessoas e fechamento de empresas, comércio e serviços. Agora, com o movimento de retomada das atividades, muitos gestores públicos se perguntam por onde começar.

Pensando neste desafio, a CoronaCidades acaba de lançar uma nova ferramenta online, o Saúde em Ordem. A partir do cruzamento de dois indicadores – segurança sanitária e contribuição econômica – ela identifica os setores mais seguros e com maior contribuição econômica para apoiar o planejamento de retomada, em níveis estadual e municipal.

A funcionalidade já está disponível para acesso gratuito de qualquer interessado dentro do Farol Covid, ferramenta lançada em maio com o propósito de informar sobre a situação da Covid-19 nas cidades brasileiras e alertar gestores públicos sobre o risco de colapso nos sistemas de saúde. 

Reabertura só é indicada para locais com baixo risco de colapso no sistema hospitalar

Para utilizar o Saúde em Ordem, o gestor deve acessar o Farol Covid e conferir, com base em indicadores como ritmo de contágio, taxa de subnotificação e quantidade de leitos hospitalares, como está a capacidade do seus serviços de saúde para responder ao coronavírus nos próximos meses. Apenas estados e municípios que apresentam risco baixo de colapso no sistema hospitalar são orientados a seguir para o Saúde em Ordem, para planejar a reabertura de suas atividades. 

A nova funcionalidade promove a  junção de duas informações: enquanto o indicador de segurança sanitária informa os setores econômicos que trazem menor risco de exposição à Covid-19 para os trabalhadores, o indicador de contribuição econômica considera quais são os setores mais relevantes economicamente para aquela localidade, usando como critério a soma dos salários pagos por cada setor, incluindo tanto o mercado formal quanto informal. 

Unidos, os dados geram o índice Saúde em Ordem, que propõe uma divisão dos setores econômicos do estado ou região em quatro fases, organizadas por ordem de prioridade para reabertura, começando pelo grupo de atividades que apresentam mais segurança sanitária e maior contribuição econômica. A ferramenta oferece uma visão do cenário por estado e por regionais de saúde – conjunto de municípios que partilham uma estrutura comum do sistema de saúde. 

O Saúde em Ordem também informa quantas pessoas trabalham em cada um dos setores naquela região, além de trazer diretrizes e protocolos sanitários para diminuir o risco de contágio por coronavírus nos espaços de trabalho. 

< Conheça também o Programa de Retomada Municipal, uma iniciativa Gove e CLP >

Retomada deve ser gradual

O objetivo da ferramenta é oferecer ao gestor público critérios mais objetivos para apoiar a tomada de decisão sobre a reabertura e também para facilitar a comunicação das medidas à população e aos setores econômicos impactados. 

“O Saúde em Ordem traz ao gestor critérios objetivos e claros para tomar decisões difíceis e comunicá-las à população e, principalmente, dialogar com aqueles setores mais impactados pelo fechamento,” explica João Abreu, co-fundador e Diretor da Impulso, organização não-governamental por trás do desenvolvimento da ferramenta. “Decisões de retomada feitas antes da hora e que não levam em conta o risco de aumento do contágio podem colocar tudo a perder, levando ao posterior fechamento quando houver um aumento no número de casos. Nesse cenário, todos saem perdendo,” complementa.

A orientação é para que a retomada das atividades seja faseada. “A reabertura deve ser gradual e, a cada novo conjunto de atividades que for reaberto, sugerimos que o gestor público volte ao Farol Covid para reavaliar o nível de risco de sua cidade”, explica Ana Paula Pellegrino, coordenadora de Tecnologia e Dados da Impulso.

 “Em algumas regiões, pode fazer mais sentido começar a reabertura por atividades industriais, em vez de serviços, por exemplo. Cada local tem sua realidade específica e o nosso objetivo é disponibilizar dados e análises que ajudem a orientar o processo de reabertura levando em conta essas especificidades”, explica Marco Brancher, mestre em economia e um dos desenvolvedores do Saúde em Ordem. 

Segurança sanitária deve ter peso maior na tomada de decisão

Apesar de levar em consideração dois índices para fazer a análise, a ferramenta Saúde em Ordem propõe como padrão um peso maior, de 70%, para o indicador de segurança sanitária e peso de 30% para contribuição econômica. Dentro da ferramenta, o usuário tem a opção de alterar esse parâmetro para projetar diferentes cenários para sua reabertura. 

Para chegar ao indicador de segurança sanitária, a equipe que desenvolveu o Saúde em Ordem se inspirou nas análises feitas pela equipe do Grupo Técnico de Atividade Econômica da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio Grande do Sul, que utilizou como referência a pesquisa americana O*NET, que traz informações sobre a exposição da ocupação a doenças e infecções e intensidade e extensão de contatos físicos no ambiente de trabalho. O risco sanitário de setores informais foi ponderado utilizando como referência relatos de sintomas de Covid-19 registrados na PNAD-Covid.

Para definir quais setores são mais relevantes economicamente em cada estado e município, foram compiladas informações de bancos de dados públicos, como o da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Acesse agora o Farol Covid e saiba mais sobre o Saúde em Ordem.

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