Níveis de Alerta

Indicadores sobre Covid-19 no contexto brasileiro

Qual é a capacidade de resposta do sistema de saúde?
Qual meu nível de alerta?
Como o sistema está testando e adotando políticas de controle à doença?

A Metodologia Níveis de Alerta propõe que o gestor use indicadores-chave para responder a essas e outras perguntas, definindo seu nível de alerta correspondente, para direcionar esforços de resposta à Covid-19 em estados e municípios.  

É preciso medir para agir

Diante da crise da Covid-19, uma análise inteligente de indicadores é capaz de revelar a gestoras e gestores públicos se o caminho adotado está dando resultados ou se é necessário corrigir rumos. Foi desse ponto de partida que a plataforma CoronaCidades desenvolveu esta metodologia para orientar estados e municípios na resposta ao coronavírus.

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Desenhar objetivos claros em torno das perguntas certas.
Executar processos para responder à Covid-19.
Comunicar à população de forma transparente.
Facilitar a repactuação com diferentes setores da sociedade.

Qual o meu nível de alerta?

Como está a situação da doença no território?
Qual é a capacidade de resposta do sistema hospitalar?
Como o sistema está testando e adotando políticas de controle à doença?

Propomos que essas e outras perguntas sejam respondidas comparando indicadores-chave a valores de referência. 

Munidos da resposta para essas perguntas, gestoras e gestores públicos podem definir seu Nível de Alerta, tanto no âmbito municipal quanto estadual, e construir políticas mais adequadas para a situação da Covid-19 na sua localidade. 

Nesta ferramenta, oferecemos uma lista com sugestões de indicadores-chave organizados em um painel, onde trazemos valores de referência coletados em pesquisas, análises de dados e do contexto local. Com base nessas informações, é possível definir o nível de alerta do estado ou município. 

Outros indicadores listados apoiam a interpretação dos indicadores-chave, justamente para facilitar a identificação de possíveis gargalos, onde é necessário intervir para melhorar na resposta à Covid-19 e progredir para níveis de alerta mais baixos.

Por exemplo: suponhamos que uma cidade tem uma taxa alta de mortalidade e uma taxa de ocupação de leitos de UTI baixa. Porém, o tempo de espera para internação em tratamento intensivo está muito alto. Esse indicador não irá aumentar o nível de alerta da cidade, mas pode acender uma luz vermelha para o gestor investigar como está o processo de Regulação. Os resultados dessa intervenção, espera-se, estarão refletidos nos indicadores-chave no próximo ciclo de avaliação.

Vamos olhar juntos?

Após a escolha de indicadores adequados para a situação dos dados local – lembrando, não é necessário usar todos para classificar seu nível de alerta, porém sugerimos ter ao menos um por dimensão -, o gestor deve fazer a comparação do seu atual estado com os valores de referência. Para definir os Níveis de Alerta, sugerimos que o nível seja determinado a partir do mais alto entre os indicadores que compõem o painel.

No painel a seguir, apresentamos um exemplo de lista de indicadores-chave e seus valores. Nesse exemplo, o nível de alerta é o de risco máximo dado que a incidência de novos casos e a taxa de ocupação estão altos. Agora, o gestor pode analisar indicadores de acompanhamento para adaptar sua resposta à crise de acordo e comunicar à população as decisões tomadas.

Recomenda-se rever o nível a cada duas semanas para garantir uma comunicação adequada e o engajamento com as medidas, bem como permitir tempo suficiente para que mudanças de políticas tenham efeito e sejam refletidas nos números.

Entenda os indicadores

A crise da Covid-19 é uma situação complexa e gestoras e gestores públicos encontram diferentes desafios em cada contexto. Contemplando essas nuances, criamos essa lista de indicadores abaixo, que podem ser selecionados pelo gestor de acordo com a confiabilidade dos dados a sua disposição. 

Nosso objetivo é que, usados em conjunto, esses indicadores tragam um retrato da situação atual e da possibilidade de piora do quadro, para que gestores sejam capazes de reagir e implementar ações adequadas. Ou seja, um indicador sozinho não basta, é preciso relacioná-los.

Cada indicador foi construído em resposta a uma pergunta, que são ponto de partida para planejar e executar ações, passo fundamental na resposta à Covid-19. Os indicadores apresentam suas limitações, muitas vezes derivadas de falta de padronização no preenchimento das informações no sistemas de registro ou de atrasos para obtenção de um dado. 

Outros indicadores, por sua vez,  medem políticas ainda não executadas pelo poder público, como é o caso do monitoramento e rastreamento de contatos. É possível, portanto, que a medição exata tenha que ser adaptada, desde que continue a traduzir a lógica proposta por trás do indicador. Buscamos antecipar algumas dessas limitações, e elas estão registradas na tabela que acompanha a lista de indicadores.  

Quando possível, recomenda-se que os indicadores sejam avaliados considerando recortes demográficos (idade, raça, grupos vulneráveis por comorbidades, grávidas e puérperas, dentre outros), e territoriais (bairros/CEP e município de residência do caso confirmado, não da confirmação do caso). Esses recortes são especialmente relevantes para direcionar políticas públicas de resposta à Covid-19.

Os indicadores estão divididos em três dimensões:

  1. Situação da doença, que busca medir como a doença está se espalhando no território e se existe risco de ressurgência. Os casos, as hospitalizações e as mortes contam a história de como a doença evolui no território.
  2. Controle da doença, que retratam a capacidade do poder público de detectar os casos por meio de testagem e de quebrar cadeias de transmissão por meio do rastreamento de contatos , prevenindo novos surtos da doença.
  3. Capacidade de resposta do sistema de saúde, que refletem a situação do sistema de saúde como um todo, englobando a estrutura hospitalar, os trabalhadores da saúde e o atendimento dos demais serviços à população.

Clique na pergunta e confira como cada indicador pode contribuir com sua resposta ao coronavírus

1. Situação da doença

Este conjunto de indicadores traduz como está a disseminação da doença no território analisado. Alguns indicadores dependem de testes – como o número de casos registrados – ou refletem estágios mais avançados da doença – como internações e óbitos -, mas também incluímos indicadores de estágios iniciais, para criar um balanço temporal.

2. Controle da doença

Enquanto não existir um tratamento ou vacina para Covid-19, ações de rastreamento de contatos, monitoramento de casos suspeitos e de testagem serão essenciais para controlar a propagação da doença, quebrando cadeias de transmissão da doença e prevenindo novos surtos. Essas intervenções são o cerne da gestão da crise e seu resultado deve ser acompanhado de perto. Estratégias de controle da doença bem sucedidos levarão à redução de indicadores da doença, conduzindo a sociedade à situação de um “novo normal”.

Rastreamento de contato

O rastreamento de pessoas potencialmente expostas a um caso confirmado de Covid-19 e a correta orientação, principalmente de pessoas com sintomas, a tomar precauções necessárias para evitar transmitir ainda mais a doença é uma estratégia essencial para conter a incidência nas cidades e estados brasileiros.

Ainda são raras as experiências de boas práticas no país de registro, processamento e monitoramento de casos expostos e suspeitos. Por isso, não incluímos esses indicadores como potenciais indicadores-chave.

Testagem

A testagem é essencial para confirmar os casos e isolar de forma rápida os pacientes, quebrando a cadeia de transmissão. A partir de um caso confirmado, gestores públicos de saúde podem monitorar o paciente, registrar e notificar contatos, estimar a demanda por atendimento e prever a dispersão da doença em sua região. Os indicadores de testagem são também importantes para auxiliar na interpretação dos dados de casos e óbitos, tanto para entender a variação dos números quanto a temporalidade, ou seja, o atraso médio entre o momento em que as pessoas ficaram doentes e o momento em que os casos são confirmados.

3. Sistema de saúde

Pacientes com Covid-19 exigem muito do sistema de saúde, que precisa estar preparado para atender principalmente aos casos mais graves. Além da disponibilidade de equipamentos, o cuidado com os profissionais de saúde também é essencial para garantir essa capacidade de respostas. Além disso, é preciso continuar os demais serviços do sistema.

Sistema hospitalar

A pessoa infectada com Covid-19, ao desenvolver sintomas graves, em geral precisa de apoio hospitalar, principalmente diante da falta de tratamento definitivo. Os indicadores a seguir traduzem se o sistema hospitalar tem capacidade para cuidar desses pacientes.

Profissionais de saúde

Proteger os profissionais que estão na linha de frente da crise e expostos ao vírus é essencial para garantir os recursos humanos necessários para reagir com agilidade e qualidade a possíveis aumentos no número de casos.

Rede de saúde

Os impactos negativos da Covid-19 sobre a saúde pública não afetam apenas aqueles diretamente infectados pela doença, mas também resultam nas interrupções de serviços de saúde essenciais e programas de saúde pública. Na epidemia de Ebola na África Ocidental, mais de 11.000 pessoas morreram diretamente do Ebola, mas estima-se que 11.000 a 26.000 mortes adicionais tenham ocorrido apenas por HIV/AIDS, tuberculose, malária e sarampo, devido a interrupções nos tratamentos e na vacinação . Assim, é importante monitorar métricas que não sejam da COVID para entender os efeitos diretos e indiretos na saúde da população.

Uma metodologia pensada para a realidade brasileira, a partir das melhores práticas internacionais

A metodologia nasceu a partir de um levantamento de melhores práticas da Vital Strategies, organização global líder em saúde pública, com atuação em mais de 70 países. Os indicadores foram adaptados para a realidade brasileira por uma equipe multidisciplinar, formada por epidemiologistas, especialistas em saúde pública, gestores públicos de saúde e analistas de dados que levaram em conta as particularidades do sistema de saúde nacional e as oportunidades e desafios particulares a ele.

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