Cidades de Minas monitoram coronavírus, mas têm dificuldade para organizar UBS

Durante todo o mês de junho, o Checklist de preparação para a Covid-19, primeira ferramenta lançada pelo CoronaCidades, foi utilizado para avaliar a situação de municípios do estado de Minas Gerais no enfrentamento à crise do coronavírus. 

Um grupo de voluntários do Movimento Liberta Minas, formado por 53 pessoas, que já atuam no acompanhamento e fiscalização de políticas públicas em diversos municípios mineiros, utilizou o Checklist também para analisar a preparação das cidades para responder ao coronavírus. 

Ao todo, o grupo avaliou a preparação de 39 municípios mineiros para o atendimento à Covid-19 em 16 aspectos presentes no Checklist desenvolvido pela plataforma CoronaCidades. 

Os resultados mostraram que a maioria das cidades tem dificuldades para organizar a atenção à saúde diante da crise. Somente 13 municípios, o que corresponde a 1/3 do total de respondentes, conseguiram criar espaços exclusivos para atender suspeitos de contaminação por Covid-19 em suas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Só oito cidades mineiras cumpriram todo o protocolo para a Covid-19

O Checklist da plataforma CoronaCidades ordena e resume, em tópicos simples, o que precisa estar no radar de quem toma as decisões diante da crise do coronavírus. 

Ao preencher o instrumento, o município informa seu nível de preparo para lidar com a pandemia em quatro esferas: Governança da crise; Comunicação e Distanciamento; Vigilância; Assistência. Dentro de cada esfera, uma lista de medidas é apresentada aos respondentes, para que eles sinalizem uma das três opções de resposta: não realizado, em andamento ou realizado.

Com o Checklist em mãos, os voluntários mineiros, que integram o programa Liberta Minas, liderado pelo deputado federal Tiago Mitraud (NOVO) e pelo deputado estadual Guilherme da Cunha (NOVO), procuraram as equipes das secretarias de saúde ou comitês de crise municipais, responsáveis pela tomada de decisão, para preencher o formulário e avaliar a situação de cada município mineiro. 

Das 39 cidades analisadas, quase todas assinalaram como “realizado” as ações de monitorar os casos de Covid-19, informar aos órgãos competentes os novos casos da doença, divulgar para a população, levantar a capacidade hospitalar e instalar o comitê de crise. 

Por outro lado, as maiores quantidades de “não realizado” foram nas questões de criação de espaços exclusivos para a doença nas unidades básicas de saúde (UBS). 

Somente 13 municípios, o que corresponde a 1/3 do total de respondentes, já criaram espaços dedicados ao atendimento de suspeitos de contaminação por Covid-19. A medida é importante porque reduz o risco de pacientes com outros problemas de saúde serem contaminados por coronavírus nas unidades de atendimento.

Os municípios mineiros também demonstram dificuldade em adotar medidas de mapeamento de áreas mais vulneráveis ao coronavírus e de criação de canais de comunicação alternativos, além dos tradicionais, com a população. As duas ações tiveram alto percentual de “não realizado” entre as cidades analisadas.

Apenas oito municípios mineiros informaram que todas as medidas de preparação para a Covid-19 previstas no Checklist já foram realizadas, foram eles: Barão de Cocais, Caeté, Diamantina, Dores de Guanhães, Juiz de Fora, Muriaé, Ouro Branco e Varginha. 

Consolidar dados sobre coronavírus ainda é um desafio

Um dos maiores desafios enfrentado pelo grupo de voluntários foi o levantamento de informações relevantes capazes de dimensionar o preparo dos municípios na resposta ao coronavírus. 

Em muitos locais as informações estão desencontradas, repartidas entre setores da prefeitura. Mas, em contrapartida, há casos positivos de cidades que estão conduzindo bem a crise, com seus comitês atuando de forma eficiente e articulados com outros órgãos públicos e entidades representativas.

Segundo um dos coordenadores do Liberta Minas, Pedro Casali, o próximo passo agora vai ser apoiar as prefeituras nas maiores dificuldades identificadas. “Primeiro fizemos o levantamento, a partir desta semana vamos articular com as prefeituras para que implementem aquilo que ainda não estão fazendo”, explicou.

A utilização do Checklist por um grupo da sociedade civil organizada demonstra o potencial do impacto causado pelo CoronaCidades. Pensado para apoiar municípios na resposta à crise, levando informações e disponibilizando ferramentas customizáveis, o conteúdo desenvolvido pela plataforma atinge, assim, um nível de capilaridade para além da ação direta da equipe. 

Com isso, seja atendendo diretamente às demandas dos gestores ou fomentando a participação social de cidadãos engajados, o objetivo da iniciativa de unir esforços para superar a pandemia é igualmente cumprido.

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